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Por que Seu Jorge demorou mais de 15 anos para lançar o álbum que ele diz ser a sua cara
08/05/2026
(Foto: Reprodução) Por que Seu Jorge demorou 15 anos para lançar álbum que ele chama de 'melhor trabalho'
O novo trabalho do cantor Seu Jorge, "The Other Side", nasceu em 2009, há 16 anos, ficou pronto em 2019 e foi lançado nesta sexta-feira (8). Uma pandemia, a vida nos EUA e outros projetos tornaram esse trabalho mais maduro e, segundo o próprio cantor, é o disco tem mais a sua cara.
Com 11 faixas, incluindo regravações de Milton Nascimento e Arthur Verocai e participações de Marisa Monte e Maria Rita, o disco foi gestado todo em Los Angeles (EUA). Esse é um fato interessante, já que o álbum espelha um Brasil dos anos 1960 e 1970. Tem um pouco da MPB do João Gilberto, com umas influências do samba-rock de Jorge Ben Jor.
"O 'The Other Side' é um disco que nasce da motivação de investigar uma sonoridade minha, mas também uma sonoridade brasileira".
Ele conta que foi trabalhando o álbum com muita calma, construindo a identidade durante as conversas com os músicos que participaram do trabalho, olhando cada detalhe dos arranjos.
Isso tudo acontecia em paralelo a outros projetos do próprio Seu Jorge, que ia mexendo em "The Other Side" conforme a inspiração aparecia. Em 2019, o álbum estava pronto para ser lançado. Porém, veio a pandemia.
“Eu, que fui tão criterioso com esse trabalho, não ia simplesmente publicar sem avisar as pessoas, sem falar para o público. É uma grande oportunidade de mostrar algo diferente do que eu tenho feito sucessivamente.”
Seu Jorge, então, esperou mais seis anos até que ele sentisse que estava na hora.
Vídeos em alta no g1
O cantor conversou com o g1 no estúdio localizado na sua casa em Alphaville, condomínio de casas de alto padrão .
Mas foi a cerca de 10 mil kms de distância, lá em Los Angeles, que o álbum nasceu. À época, ele tinha se mudado com a família para os EUA.
“Lembro como se fosse hoje: a foto da capa é exatamente o momento em que estou sentado, fumando um cigarro, tomando um sol porque na sombra fazia frio. Naquela hora, eu pensava: ‘Tenho que ficar aqui um pouco’.”
A presença da família foi muito importante para o músico. Isso, somado a um ambiente musical e uma troca frequente com Mario Caldato Jr., produtor musical e dono do estúdio onde o disco foi feito, são os segredos de “The Other Side”.
Capa do álbum 'The other side', de Seu Jorge
B+ / Divulgação
A música e a diplomacia
Enquanto “Baile à la Baiana”, seu último trabalho lançado em 2025 é um disco com muitos elementos eletrônicos, para cima, para dançar, “The Other Side” é bem mais calmo, com canções de voz e violão, tranquilo.
Das 11 faixas, apenas uma tem composição do cantor. “É um álbum no qual sou intérprete, uso minha voz como instrumento”, explica. Seu foco maior ficou nas conversas trocas com produtores e musicistas sobre os arranjos. Conversas de bons anos;
Focando no público internacional, misturando canções em português e inglês, Seu Jorge diz que fazer um álbum com a cara do seu país de origem nos EUA tem potencial para criar uma conexão com brasileiros residentes no país.
"Vejo a cultura como um instrumento de expansão diplomática e geopolítica. O disco é um expansionismo do Brasil: fiz música brasileira nos EUA, com formatação americana, almejando ser percebido no mundo inteiro."
“Em termos de música, de cuidado, de tempo dedicado… eu tenho certeza de que é o melhor trabalho que já fiz”, diz Seu Jorge no release do trabalho. Na entrevista, ele reforça que esse conceito de “melhor trabalho” está ligado ao apego aos detalhes e à sinceridade.
Sinceridade porque, segundo o próprio, esse não é um trabalho para o mercado. São músicas que fogem do compasso tradicional, que não devem viralizar ou tocar nas rádios.
“Estamos trabalhando para a beleza, não pelo custo. Passamos a vida toda trabalhando para a indústria; uma vez na vida, a gente tem que poder fazer diferente. Eu disse para o Mario: ‘Nossa música tem começo, meio e fim. Fade out é coisa de rádio para entrar o anunciante'.”
Como deu para perceber, Seu Jorge não se mostra muito preocupado com números. Seu grande apego é com uma recepção aberta do público. “Quero que seja um álbum que as pessoas ouçam com atenção”.
E futuro 'de volta' às origens
O cantor Seu Jorge, durante ensaio no seu estúdio em São Paulo
Divulgação
Depois de entregar para o mundo um trabalho tão maturado, ele não deixa de pensar no futuro: Seu Jorge quer lançar um álbum de samba, o que seria inédito na carreira dele. É o que ele diz.
Daí, você pode pensar: mas e “Músicas Para Churrasco” volume 1 e 2? E até mesmo o clássico do Farofa Carioca, “Moro no Brasil”, com “Timbó”, “Jacaré”, “Babel”...?
“Não, esses são álbuns que, em algum momento, dialogam com samba. Mas não são na essência", justifica.
"Eu estou falando de fazer uma audição com compositores, que tenha um grande produtor, um álbum que todos os elementos soem como um álbum de samba. Eu quero ter um álbum de samba porque sou um bom cantor de samba e me sinto confortável nessa área.”
Ao falar de samba, Seu Jorge se empolga. Cita os produtores que sonha trabalhar (de Rildo Hora a Wilson Prateado), contemplando sonoridades que vão dos anos 1960 ao final dos anos 1990, estúdios onde gostaria de cantar, compositores e instrumentistas que não podem ficar de fora.
Sobrinho de Jovelina Pérola Negra e primo de Dudu Nobre, o samba é algo que, definitivamente, corre nas suas veias.